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(AN)ARQUITETURA O RETORNO DA COLUNA DURITO

Osfavelados 2001-2002

Tradução de Ricardo Rosas

Os tempos mudaram e, como disseram autores como Rem Koolhaas, Edward Soja e Néstor García Canclini, entre outros, necessitamos de novas palavras para novas realidades, e novas ferramentas para operar dentro delas. Aqui estão algumas propostas para novos conceitos relacionados à arquitetura e ao urbanismo (Do vídeo: Propuestas para un debate sobre el
urbanismo anarquista. El retorno de la Columna Durito, 2001).
O termo anarquitetura foi proposto por Gordon Matta-Clark nos anos 60.

1/

Urbanismo Anarquista (baseado em Sam Blower): Prática de urbanistas anarquistas. O urbanismo anarquista se põe a serviço daquelas pessoas ecomunidades que não são regularmente levadas em conta no processo de decisão relacionado à construção das cidades e da arquitetura que estas
mesmas pessoas e comunidades terão de habitar.
Frequentemente, o urbanismo anarquista é gerido pela auto-construção.
Em outras situações, ele consiste na apropriação/transformação de espaços produzidos por outros agentes e com outras finalidades, como especulação econômica, dominação ou o espetáculo.
2/
Urbanismo insurrecional: O urbanismo que desenvolve princípios opostos ou inversos ao urbanismo hegemônico e homogeneizante praticado pelos urbanistas do neo-liberalismo como Disney, Koolhaas, ou a cidade de Los Angeles, que poderia também ser definido conforme Guy Debord em A Sociedade do Espetáculo (o que ele denominou como urbanismo da
separação).
3/
Arquitetura zapatista (proposta para uma definição para o século XXI): A transformação dos espaços, permanente ou efêmera, que favoreça ou promova a emancipação individual ou comunal de seus habitantes; incluídas aquelas transformações espaciais que favoreçam o aparecimento de revoluções – hoje preferencialmente revoluções que se oponham à globalização capitalista e se inspirem no pensamento anarquista.
2ª definição (deturnando Raoul Vaneigem): Arquitetura zapatista é a construção de situações que tenham o potencial de produzir momentos radicais de poesia que mudem a vida e transformem o mundo. A criatividade, igualmente repartida por todos os indivíduos só se expressa direta e espontaneamente no calor de alguns momentos privilegiados. Não seria justo situar estes estados pré-revolucionários, que irradiam poesia que
muda a vida e transforma o mundo, sob o signo desta graça moderna, a arquitetura zapatista? Um gesto, uma atitude, uma palavra por vezes, demonstra a presença inegável da possiblidade aberta à poesia, ou seja, à construção total da vida
cotidiana, à inversão total da perspectiva, à revolução. A arquitetura zapatista se propõe, em resumo, a uma condensação, uma comunicação direta do essencial.

4/
Hackitetura: De hacking e arquitetura: O uso, de uma forma imprevista e subversiva de espaços, elementos e sistemas urbanos e/ou arquitetônicos. O termo foi influenciado por um outro novo conceito: hacktivismo, que descreve o mix de net art, ciência da computação e ativismo durante os últimos anos do século XX.
5/
Arquitetura ciborgue: A prática arquitetônica que aplica as idéias sobre identidade ciborgue propostas por Donna Haraway. Estaria composta por sistemas e elementos compatíveis integrados em uma organização de rede e componentes, semelhante à dos componentes, semelhante à dos computadores. Os componentes ciborgues são sucetíveis de ser
desenhados, produzidos, instalados e substituídos autônomamente: estrutura, energia, instalações, sistemas de informação, fachadas, zonas úmidas, divisões, revestimentos, mobiliário, manutenção, … A arquitetura ciborgue substitui o arquiteto no topo da pirâmide de produção por um conjunto de equipes organizadas em rede (ver Pérez de Lama/2001).
6/
Arquitetura gonzo (segundo Pablo de Soto): A prática arquitetônica resultante da aplicação dos princípios do jornalismo gonzo à arquitetura.

Em sua forma seminal é uma mistura de situacionismo e cyberpunk (Ver Pérez de Lama/2002).

Bibliografia

Sam Blower / 199… / Mini manual of the anarchic urbanist /Sci-arc public access press / Los Angeles

Guy Debord / 1996 [ed. orig. 196…] / La Sociedad del Espectáculo / Pretextos / Valencia Donna Haraway / 1991 / A

Cyborg Manifesto: Science, Technology, and Socialist-Feminism in the Late Twentieth Century, in: Simians, Cyborgs, and
Women. The reinvention of nature / Routledge / New York
Pérez de Lama/ 2002/ Arquitectura Gonzo /
http://home.earthlink.net/~osfavela2002/dglandia_2002/dglandia02_03.html

Pérez de Lama / 1999 / La anarquitectura de los Merry Pranksters / en:
Pasajes… / Madrid
Pérez de Lama / 2001 / El arquitecto cyborg / en: Boletín FIDAS núm. 29 / Sevilla
Raoul Vaneigem / 199… [ed. orig. 1968] / Tratado del saber vivir para uso de las nuevas generaciones / Anagrama / Barcelona
Fonte : Osfavelados (home.earthlink.net/%7Eosfavela2002/).

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